O menino que descobriu o vento

O CFCL-SINESP realizou pela plataforma Zoom, no dia 18 de novembro, a última edição do Cine Debate no ano de 2022. Filiados analisaram, sob a mediação dos professores Jean Siqueira e Marcos Maurício Alves, o filme O menino que descobriu o vento.

Originalmente intitulado The boy who harnessed the wind, o longa foi lançado em 2019 com inspiração em uma história real. A produção foi realizada de forma colaborativa por EUA, Malauí, França e Reino Unido.

Trata-se do primeiro longa dirigido por Chiwetel Ejiofor, ator inglês com ascendência nigeriana, figura recorrente na indústria do cinema, que faz também sua estreia como roteirista. Além disso, ele assume um dos papéis principais na obra, atuando ao lado do estreante Maxwell Simba, jovem ator queniano (com atuação espetacular), da atriz franco-senegalesa Aïssa Maïga e de Lily Banda, cantora malauiense, também em primeira atuação no cinema.

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Filme narra história de jovem que mudou a vida de uma comunidade com invenção genial

O longa-metragem é inspirado em romance homônimo de 2009, escrito por William Kamkwamba e pelo jornalista Bryan Mealer. No texto, Kamkwamba narra sua infância no Malauí, um dos países mais pobres do mundo, segundo o FMI (atualmente está em quarto lugar nesse ranking). Ele conta os desafios que enfrentou para conseguir construir, de forma bastante rudimentar, um moinho de vento capaz de extrair água do subsolo para irrigar as pequenas plantações de sua aldeia. Mostra  como o ser humano tem nas mãos a capacidade de escolher os rumos do planeta. Pode, por meio de suas escolhas, transformar positivamente o seu entorno, mas, também, fazê-lo de forma negativa, promovendo a destruição do meio ambiente e, por consequência, ampliar o risco de ocorrência de desastres ambientais.

Filme chama a atenção para país pouco conhecido pelos brasileiros

Quem assiste ao filme O menino que descobriu o vento sem nenhum contato prévio com a história provavelmente se pergunta: “Onde fica o Malauí? Que país é esse?”

Uma breve pesquisa sobre o país acaba originando mais dúvidas e indagações. Por que se permite tanta desigualdade neste mundo? Como aceitar que, em pleno século XXI, pessoas continuem morrendo de fome? Como uns podem gastar bilhões para ver a Terra do espaço enquanto outros precisam andar quilômetros para conseguir um pouco de água? Como a educação formal contribui para mudar o mundo? Como um país com poucos recursos conseguiu gerar a possibilidade de alguém tão jovem, como William Kamkwamba, criar o que criou?

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O menino que descobriu o vento vai, pouco a pouco, levando o espectador a se questionar, a refletir sobre uma série de aspectos antropológicos, sociológicos, políticos, filosóficos suscitados por essa obra tão sensível e tão bem realizada. As tentativas de explorar essas questões permearam o último encontro do Cine Debate do CFCL – SINESP em 2022.

Nem todas as perguntas encontraram respostas, mas nossos filiados enriqueceram o encontro com emocionantes relatos de vida, de pobreza não só no Malauí, mas também aqui na cidade de São Paulo, no passado e no presente. Relatos escolares, relatos de vidas.

O menino que descobriu o vento termina com uma linda imagem: William em cima de sua construção, no alto de seu moinho de vento observando uma plantação verde, enchendo os olhos do personagem de alegria, projetando um futuro promissor, de saciedade, do fechamento de um ciclo de fome e miséria.

Os Clubes do CFCL – SINESP são espaços de análises, interpretações, críticas, mas, sobretudo, de histórias. Histórias pessoais ou não, mas, principalmente, histórias de transformação geradas pela possibilidade do acesso à educação e ao conhecimento. São locais onde se pode discutir aspectos políticos, sociais e históricos de músicas, livros e filmes. É sempre um prazer contar com a multiplicidade de visões de nossos filiados. Por isso, esperamos você em 2023 para continuarmos construindo a história dos Clubes do CFCL-SINESP.

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