Música em Debate

O CFCL Benê do SINESP realizou, em 1º de setembro, mais uma edição do Música em Debate. Dessa vez, o tema que determinou a escolha das músicas para as atividades foi a Geografia, em suas diversas facetas físicas e humanas. A edição intitulada Musicando a Geografia proporcionou aos filiados uma viagem pelo mundo por meio da música.

Como pano de fundo dessas escolhas temáticas está a ideia de como a música pode ser considerada uma ferramenta para promover discussões em várias áreas do conhecimento. Por ser algo que desperta interesse, atenção e prazer, ela pode ser instrumentalizada de diversas maneiras por professores, tornando-se um fecundo material de apoio didático.

Biomas brasileiros em destaque na produção musical

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Em um dos recortes, diversos biomas brasileiros foram trazidos à baila por meio de músicas sobre a Amazônia, o Cerrado, a Caatinga e a Mata Atlântica. Essa jornada foi do cordel musicado ao baião e ao reggae.

Em Saga da Amazônia, do compositor e músico paraibano Vital Farias, foi possível acompanhar a descrição das belezas da mata e também dos riscos e perigos a que exploração humana guiada pelos interesses do grande capital a submetem. A versão escolhida para a partilha no evento foi a do álbum ao vivo Cantoria, lançada em 1984, e gravada em companhia de Elomar, Geraldo Azevedo e Xangai.

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Baião do Cerrado, composição do grupo Kirá e a Ribanceira, formado no centro-oeste do Brasil, também explora as características desse bioma e igualmente denuncia a destruição decorrente do avanço do agronegócio na região, cujos lucros são colocados acima da vida e da sustentabilidade. A música, lançada em 2021, faz parte do álbum Semente de peixe.

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De Paulo Soares e a Terceira Cidade, banda de estilo eclético sediada em Juazeiro (BA), veio a música Caatinga, lançada no álbum Replantio, também de 2021. A letra descritiva nomeia elementos da fauna e da flora da Caatinga, promovendo o contato com esse mundo que compõe o sertão do nordeste do Brasil.

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A Mata Atlântica foi contemplada com uma música de mesmo nome (mesmo nome do álbum, inclusive), lançada em 2002 pelo baiano Nengo Vieira. Conhecido no meio da música gospel, Nengo deixa a temática do proselitismo religioso para chamar a atenção para a necessidade de preservação ambiental. No ritmo, um reggae despretensioso ressalta, com sua cadência, as belezas e a importância da Mata Atlântica, outra presa da ganância humana e sua busca desenfreada pelo lucro.

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Do Brasil para o mundo

Além do Brasil, a América do Sul foi contemplada com uma música da banda chilena de rock progressivo Los Jaivas, formada em 1963 e ainda em atividade. Dela, foi selecionada a música Antigua América, presente no álbum Alturas de Machu Picchu, lançado em 1981 – álbum cujas letras tiveram a participação do poeta Pablo Neruda. No clipe, gravado na famosa cidade inca, alguns detalhes dessa maravilha do mundo e também do povo peruano – em especial da cidade de Cusco, onde se localiza o chamado Vale Sagrado, ponto de partida para muitos que vão explorar Machu Picchu.

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Cruzando o Atlântico, a música Le lacs de Connemara, lançada em 1981 em álbum homônimo pelo francês Marcel Sardou, descreve um condado no oeste da Irlanda caracterizado por lagos, clima nublado e por uma vida bucólica. A música, cantada em ritmo de marcha, acentua elementos da história irlandesa, com sua formação, seus eventos e seus conflitos.

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Da Europa para a Índia, foi a vez de explorar as características do Rio Ganges, que se forma na cordilheira do Himalaia e desemboca no Golfo de Bengala, perfazendo mais de 2.500 km de extensão. Considerado sagrado pelos hindus, o Ganges foi apresentado por meio da música Ganga, composta pelo multipremiado Ricky Kej, um dos grandes nomes da world music atual. As letras, inspiradas em um poema do filósofo, poeta e teólogo hindu Adi Shankaracharya, que viveu no século VIII, são uma homenagem ao caráter divino do rio.

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O trabalho associando a música à história, na edição anterior, e à geografia, nessa edição do Música em Debate, gerou o interesse pela associação a outras áreas do conhecimento. E as demais ciências humanas? E as ciências da natureza? E as ciências formais? Seria possível um Musicando a Filosofia, Musicando a Sociologia, Musicando a Física, Musicando a Matemática, Musicando a Biologia, etc? Como sempre, propostas lançadas nessas reuniões musicais sempre ficam pairando no horizonte.

Fique atento ao site e às redes sociais do SINESP e não perca a próxima edição do Música em Debate.

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