Aconteceu no SINESP
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Dezenas de entidades se reuniram no 1º Encontro do Pacto Educativo Global nesta quinta, 12 de março, no auditório do CFCL. Estavam presentes mais de 80 representantes de entidades comprometidas com os trabalhos por um grande marco na educação global para as próximas gerações. Rudá Ricci, assessor sindical do SINESP e sociólogo, abriu os trabalhos.

A partir de uma proposição de líderes judaicos e muçulmanos, o papa Francisco propôs o chamamento para o Pacto, com o objetivo de construir uma nova sociedade universal mais acolhedora.

A proposta sugere que toda mudança precisa de uma caminhada educativa que envolva a todos, a partir da necessidade de costrução de uma Aldeia da Educação. Na diversidade, de acordo com o texto de proposição do Pacto, se partilha o compromisso de gerar uma rede de relações humanas e abertas.

Foi criado um grande grupo de trabalho que vai começar a discutir as propostas e ações a serem levadas a Roma no dia 15 de outubro, quando o papa fará uma grande aula magna para lançar o pacto. Apesar do chamamento ter sido feito pelo líder da Igreja Católica, a ideia é ter a presença também de representantes das mais variadas religiões, com um caráter mais humanista do que religioso.

O evento teve transmissão por streaming no canal Resistentes, no Youtube.

Para ver a transmissão, clique aqui.

O próximo encontro acontece também no CFCL, no dia 16 de abril, às 14h.

Saiba mais sobre o Pacto Educativo Global

Em 12 de setembro de  2019, Papa Francisco emitiu uma mensagem convocando lideranças mundiais para o que denominou de Pacto Educativo Global.

Na mensagem, reafirma o necessário cuidado com a “nossa casa comum” já alertado na carta encíclica Laudato si’. O cuidado, afirma, se fará a partir de uma “nova solidariedade universal e uma sociedade mais acolhedora”. 

Uma das iniciativas, destaca é a promoção de um encontro mundial então marcado para o dia 14 de maio de 2020, mas já reagendado para 15 de outubro, que terá como tema «Reconstruir o pacto educativo global». O pacto sugerido teria como elementos constitutivos “uma educação mais aberta e inclusiva, capaz de escuta paciente, diálogo construtivo e mútua compreensão”. O encontro mundial também está sendo intitulado de "Reinventando a Aliança Global pela Educação".O encontro foi agendado para coincidir com o quinto aniversário da encíclica papal histórica "Laudato Si", que pediu a proteção do meio ambiente, o combate ao aquecimento global e a eliminação gradual do uso dos combustíveis fósseis.

Em sua mensagem, Papa Francisco apresenta um breve diagnóstico, pautado pela identificação de 

(...) novas linguagens e descarta, sem discernimento, os paradigmas recebidos da história. A educação é colocada à prova pela rápida aceleraçãoque prende a existência no turbilhão da velocidade tecnológica e digital, mudando continuamente os pontos de referência. Neste contexto, perde consistência a própria identidade e desintegra-se a estrutura psicológica perante uma mudança incessante que «contrasta com a lentidão natural da evolução biológica» (Francisco, Carta enc. Laudato si’, 18).

Sua mensagem ressalta a necessidade de superação da fragmentação contemporânea. 

Sugere, em sua mensagem, que “toda mudança precisa duma caminhada educativa que envolva a todos” e é neste ponto que sustenta a necessidade de construção de uma «aldeia da educação», onde, na diversidade, se partilhe o compromisso de gerar uma rede de relações humanas e abertas. Trata-se de uma aliança mundial, “entre o estudo e a vida; entre as gerações; entre os professores, os alunos, as famílias e a sociedade civil, com as suas expressões intelectuais, científicas, artísticas, desportivas, políticas, empresariais e solidárias”. 

“Uma aliança entre os habitantes da terra e a «casa comum», à qual devemos cuidado e respeito. Uma aliança geradora de paz, justiça e aceitação entre todos os povos da família humana, bem como de diálogo entre as religiões.”

Uma aliança que reflita sobre “outros modos de compreender a economia, a política, o crescimento e o progresso. Num percurso de ecologia integral, coloca-se no centro o valor próprio de cada criatura, em relação com as pessoas e com a realidade que a rodeia, e propõe-se um estilo de vida que rejeite a cultura do descarte”. Aliança que invista na criatividade e responsabilidade, na construção de ações propositivas, projetando a educação a longo prazo, uma formação para pessoas disponíveis para se colocarem ao serviço da comunidade. 

“Servir”, afirma, “significa trabalhar ao lado dos mais necessitados, estabelecer com eles, antes de tudo, relações humanas, de proximidade, vínculos de solidariedade» (Francisco, Discurso na visita ao Centro Astalli de Roma ao serviço dos refugiados, 10 de setembro de 2013). 

Além de educadores e pesquisadores da área, a mensagem é endereçada aos jovens e a personalidades públicas que ocupem, a nível mundial, lugares de responsabilidade.

O encontro mundial será no dia 15 de outubro de 2020 em Roma, na Aula Paulo VI do Vaticano. Na mensagem, é anunciada uma série de seminários temáticos, em várias instituições, como preparação do encontro.

Dentre os tópicos temáticos apontados, estão: a defesa dos direitos humanos e da paz, o diálogo interreligioso, a migração, a cooperação internacional, refugiados, justiça econômica e proteção ambiental.

No site criado para divulgar as ações definidas pelo Pacto são apresentadas atividades programadas sem, contudo, identificar se já compõem a série de seminários temáticos anunciados. 

Site: https://www.educationglobalcompact.org/

Mensagem do Papa

Caríssimos,

Na carta encíclica Laudato si’, convidei a todos para colaborar na salvaguarda da nossa «casa comum», enfrentando juntos os desafios que nos interpelam. Passados alguns anos, visto que toda a mudança precisa duma caminhada educativa para fazer amadurecer uma nova solidariedade universal e uma sociedade mais acolhedora, renovo o convite para se dialogar sobre o modo como estamos a construir o futuro do planeta e sobre a necessidade de investir os talentos de todos.

Com esta finalidade, desejo promover um encontro mundial no dia 14 de maio (data remarcada para 15 de outubro de 2020), que terá como tema «Reconstruir o pacto educativo global»: um encontro para reavivar o compromisso em prol e com as gerações jovens, renovando a paixão por uma educação mais aberta e inclusiva, capaz de escuta paciente, diálogo construtivo e mútua compreensão. Nunca, como agora, houve necessidade de unir esforços numa ampla aliança educativa para formar pessoas maduras, capazes de superar fragmentações e contrastes e reconstruir o tecido das relações em ordem a uma humanidade mais fraterna.

O mundo contemporâneo está em transformação contínua, vendo-se agitado por variadas crises. Vivemos uma mudança epocal: uma metamorfose não só cultural, mas também antropológica, que gera novas linguagens e descarta, sem discernimento, os paradigmas recebidos da história. A educação é colocada à prova pela rápida aceleração – a chamada rapidación –, que prende a existência no turbilhão da velocidade tecnológica e digital, mudando continuamente os pontos de referência. Neste contexto, perde consistência a própria identidade e desintegra-se a estrutura psicológica perante uma mudança incessante que «contrasta com a lentidão natural da evolução biológica» (Francisco, Carta enc. Laudato si’, 18).

Ora cada mudança precisa duma caminhada educativa que envolva a todos. Por isso, é necessário construir uma «aldeia da educação», onde, na diversidade, se partilhe o compromisso de gerar uma rede de relações humanas e abertas. Como afirma um provérbio africano, «para educar uma criança, é necessária uma aldeia inteira». Mas, esta aldeia, temos de a construir como condição para educar. Antes de mais nada, o terreno deve ser bonificado das discriminações com uma inoculação de fraternidade, como defendi no Documento que assinei com o Grande Imã de Al-Azhar, em Abu Dhabi, no passado dia 4 de fevereiro.

Numa aldeia assim, é mais fácil encontrar a convergência global para uma educação que saiba fazer-se portadora duma aliança entre todos os componentes da pessoa: entre o estudo e a vida; entre as gerações; entre os professores, os alunos, as famílias e a sociedade civil, com as suas expressões intelectuais, científicas, artísticas, desportivas, políticas, empresariais e solidárias. Uma aliança entre os habitantes da terra e a «casa comum», à qual devemos cuidado e respeito. Uma aliança geradora de paz, justiça e aceitação entre todos os povos da família humana, bem como de diálogo entre as religiões.

Para atingir estes objetivos globais, a caminhada comum da «aldeia da educação» deve dar passos importantes. Primeiro, ter a coragem de colocar no centro a pessoa. Por isso, é preciso assinar um pacto para dar uma alma aos processos educativos formais e informais, que não podem ignorar o facto de que tudo, no mundo, está intimamente conexo e é necessário encontrar – segundo uma sã antropologia – outros modos de compreender a economia, a política, o crescimento e o progresso. Num percurso de ecologia integral, coloca-se no centro o valor próprio de cada criatura, em relação com as pessoas e com a realidade que a rodeia, e propõe-se um estilo de vida que rejeite a cultura do descarte.

Outro passo é a coragem de investir as melhores energias com criatividade e responsabilidade. A ação propositiva e confiante abre a educação para uma projetação a longo prazo, que não encalhe na tendência estática das condições. Assim, teremos pessoas abertas, responsáveis, disponíveis a encontrar o tempo para a escuta, o diálogo e a reflexão, e capazes de construir um tecido de relações com as famílias, entre as gerações e com as várias expressões da sociedade civil de modo a constituir um novo humanismo.

Um novo passo é a coragem de formar pessoas disponíveis para se colocarem ao serviço da comunidade. O serviço é um pilar da cultura do encontro: «significa inclinar-se sobre quem é necessitado e estender-lhe a mão, sem cálculos nem receio, com ternura e compreensão, como Jesus Se inclinou para lavar os pés dos Apóstolos. Servir significa trabalhar ao lado dos mais necessitados, estabelecer com eles, antes de tudo, relações humanas, de proximidade, vínculos de solidariedade» (Francisco, Discurso na visita ao Centro Astalli de Roma ao serviço dos refugiados, 10 de setembro de 2013). No serviço, experimentamos que há mais alegria em dar do que em receber (cf. Atos dos Apóstolos 20, 35). Nesta perspetiva, todas as instituições se devem deixar interpelar acerca das finalidades e métodos com que desempenham a sua missão formadora.

Por isso, desejo encontrar-vos em Roma a todos vós que, pelos mais variados títulos, trabalhais no campo da educação em todos os níveis da lecionação e da pesquisa. Convido-vos a promover em conjunto e ativar, através dum pacto educativo comum, as dinâmicas que conferem um sentido à história e a transformam de maneira positiva. Juntamente convosco, dirijo idêntico apelo a personalidades públicas que ocupem, a nível mundial, lugares de responsabilidade e tenham a peito o futuro das novas gerações; espero que acolham o meu convite. E faço apelo também a vós, jovens, para que participeis no encontro e sintais plena responsabilidade de construir um mundo melhor. O encontro será (...) em Roma, na Sala Paulo VI do Vaticano. Uma série de seminários temáticos, em várias instituições, acompanhará a preparação do encontro.

Juntos, procuremos encontrar soluções, iniciar sem medo processos de transformação e olhar para o futuro com esperança. Convido a cada um para ser protagonista desta aliança, assumindo o compromisso pessoal e comunitário de cultivar, juntos, o sonho dum humanismo solidário, que corresponda às expetativas do homem e ao desígnio de Deus.

Fico à vossa espera e, desde já, vos saúdo e abençoo.

 

Vaticano, 12 de setembro de 2019.

 

Francisco

 

 

Em 12 de setembro deste ano, Papa Francisco emitiu uma mensagem convocando lideranças mundiais para o que denominou de Pacto Educativo Global.

Na mensagem, reafirma o necessário cuidado com a “nossa casa comum” já alertado na carta encíclica Laudato si’. O cuidado, afirma, se fará a partir de uma “nova solidariedade universal e uma sociedade mais acolhedora”.

Uma das iniciativas, destaca é a promoção de um encontro mundial no dia 14 de maio de 2020, que terá como tema «Reconstruir o pacto educativo global». O pacto sugerido teria como elementos constitutivos “uma educação mais aberta e inclusiva, capaz de escuta paciente, diálogo construtivo e mútua compreensão”. O encontro mundial também está sendo intitulado de "Reinventando a Aliança Global pela Educação".O encontro foi agendado para coincidir com o quinto aniversário da encíclica papal histórica "Laudato Si", que pediu a proteção do meio ambiente, o combate ao aquecimento global e a eliminação gradual do uso dos combustíveis fósseis.

Em sua mensagem, Papa Francisco apresenta um breve diagnóstico, pautado pela identificação de

(...) novas linguagens e descarta, sem discernimento, os paradigmas recebidos da história. A educação é colocada à prova pela rápida aceleraçãoque prende a existência no turbilhão da velocidade tecnológica e digital, mudando continuamente os pontos de referência. Neste contexto, perde consistência a própria identidade e desintegra-se a estrutura psicológica perante uma mudança incessante que «contrasta com a lentidão natural da evolução biológica» (Francisco, Carta enc. Laudato si’, 18).

Sua mensagem ressalta a necessidade de superação da fragmentação contemporânea.

Sugere, em sua mensagem, que “toda mudança precisa duma caminhada educativa que envolva a todos” e é neste ponto que sustenta a necessidade de construção de uma «aldeia da educação», onde, na diversidade, se partilhe o compromisso de gerar uma rede de relações humanas e abertas. Trata-se de uma aliança mundial, “entre o estudo e a vida; entre as gerações; entre os professores, os alunos, as famílias e a sociedade civil, com as suas expressões intelectuais, científicas, artísticas, desportivas, políticas, empresariais e solidárias”.

“Uma aliança entre os habitantes da terra e a «casa comum», à qual devemos cuidado e respeito. Uma aliança geradora de paz, justiça e aceitação entre todos os povos da família humana, bem como de diálogo entre as religiões.”

Uma aliança que reflita sobre “outros modos de compreender a economia, a política, o crescimento e o progresso. Num percurso de ecologia integral, coloca-se no centro o valor próprio de cada criatura, em relação com as pessoas e com a realidade que a rodeia, e propõe-se um estilo de vida que rejeite a cultura do descarte”. Aliança que invista na criatividade e responsabilidade, na construção de ações propositivas, projetando a educação a longo prazo, uma formação para pessoas disponíveis para se colocarem ao serviço da comunidade.

“Servir”, afirma, “significa trabalhar ao lado dos mais necessitados, estabelecer com eles, antes de tudo, relações humanas, de proximidade, vínculos de solidariedade» (Francisco, Discurso na visita ao Centro Astalli de Roma ao serviço dos refugiados, 10 de setembro de 2013).

Além de educadores e pesquisadores da área, a mensagem é endereçada aos jovens e a personalidades públicas que ocupem, a nível mundial, lugares de responsabilidade.

O encontro mundial será no dia 14 de maio de 2020 em Roma, na Aula Paulo VI do Vaticano. Na mensagem, é anunciada uma série de seminários temáticos, em várias instituições, como preparação do encontro.

Dentre os tópicos temáticos apontados, estão: a defesa dos direitos humanos e da paz, o diálogo interreligioso, a migração, a cooperação internacional, refugiados, justiça econômica e proteção ambiental.

No site criado para divulgar as ações definidas pelo Pacto são apresentadas atividades programadas sem, contudo, identificar se já compõem a série de seminários temáticos anunciados.

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