O Cine Debate sobre o filme “O Dilema das Redes” possibilitou reflexões profundas sobre o funcionamento das redes sociais e como elas afetam as relações humanas na atualidade.

O Dilema das redes é um documentário, ou um docudrama, por ter uma pequena parte dramática, ficcional, em que uma família representa os efeitos do uso das redes mostrados no filme.

O docudrama foi produzido pela Netflix e se propõe a debater a ascensão das redes socais e o controle delas sobre a vida. Para tanto, parte do depoimento de especialistas, inclusive de empregados das gigantes da área que trabalharam no desenvolvimento das redes.

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Eles explanam com detalhes assustadores como as redes criaram mecanismos para controlar as ações dos usuários, para levá-los aonde querem no consumo de produtos e ideias, e as formas mais recentes de levantamento de perfis psicométricos, com o objetivo de vender o direcionamento de propaganda comercial e política.

O tema é prá lá de importante. Pensar como as redes sociais impactam a vida contemporânea e os efeitos delas nas emoções e na razão humanas é uma necessidade frente a uma das maiores e mais rápidas mudanças na relação com o meio vivido pelos homo sapiens. Por isso, o CFCL-SINESP escolheu o tema e os professores Marcos Maurício Alves e Jean Siqueira prepararam e coordenaram o debate.

A dinâmica das redes e seus efeitos

Junto com os professores Marcos e Jean, as filiadas que participaram do Cine Debate trouxeram reflexões e formulações a respeito de conteúdos que destacaram do documentário.

Como alguns efeitos colaterais do uso frequente das redes, levantados no filme e frisados pelo professor Marco. Alguns deles são: falta de confiança uns nos outros, solidão, alienação, ameaça existencial, fraude eleitoral, narcisismo, depressão nas crianças, Fake News, fim da democracia, polarização, suicídios, radicalização, vício..... Ou seja, muita coisa ruim!

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Modelo de negócio

O fato é que as redes, da forma como funcionam hoje, com base na busca do lucro a partir de um modelo específico de negócio, incentiva a disputa de ideias, fortalece e acirra a divisão da sociedade em 2 campos políticos opostos, induz à destruição da democracia e a guerras civis.

Salta aos olhos a ausência de regulação do meio eletrônico, ressaltado pelos entrevistados, e a falta de responsabilidade e responsabilização das empresas proprietárias das redes, as chamadas big techs, que atuam para lucrar com venda de propaganda de produtos e política, mas pouco ou nada fazem para proteger os consumidores e os processos eleitorais, por exemplo. É urgente, por exemplo, a criação de ferramentas para impedir a proliferação de notícias falsas e conteúdos de ódio.

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Reação consciente

O público, por sua vez, não é uma vítima indefesa a qual nada resta a fazer, a não ser submergir à sedução e ao poder das redes. Há muito que ele pode e deve fazer para evitar as mazelas do mundo virtual, para não ser tragado, controlado, direcionado e explorado a partir do conhecimento profundo de seu perfil que os algoritmos são capazes de levantar hoje.

Trata-se de consumo consciente acima de tudo, cuja disseminação cabe, antes de tudo, a governos responsáveis e preocupados com os cidadãos, mas também a pais, escolas e à sociedade como um todo.

Participação ativa das filiadas

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Com mais de 40 pessoas presentes na sala virtual, o Cine Debate trouxe reflexões e depoimentos incríveis das filiadas, que enriqueceram muito o debate e propiciaram ainda mais desdobramentos a partir das questões iniciais. Confira:

"Nós sabemos que as redes nos monitoram e mesmo assim a gente continua. Perpassa por uma discussão ética em nível de sociedade que tem de envolver todas as esferas: famílias, escolas... Mas a gente vê diversos benefícios das redes, como estar aqui agora no Cine Debate do SINESP", Alcina Carvalho Hatzlhoffer. 

"É gostoso estar aqui, estar compartilhando esses conhecimentos. É bacana a gente estar junto aqui no Cine Debate do SINESP porque é um chamado para a questão intelectual e política, sem política partidária. Adorei o encontro e a reflexão proporcionada com todas contribuições e comentários", Ilma Lopes de Aquino, "As redes sociais trazem conteúdo gratuito mas retêm sua atenção para venda. Se você não está pagando pelo produto, você é o produto"

"Não sou absolutamente viciada em redes sociais porque eu gosto do contato pessoal. O que me preocupa é que eu percebo uma hiperconectividade e uma padronização de comportamentos entre os meus sobrinhos menores de 14 anos E nessa padronização acabam perdendo seu eu, sua caracterização. Aonde tudo isso vai nos levar? Vai nos deixar mais felizes? Podemos encontrar um outro jeito de ser feliz, encontrar o verdadeiro eu, o que queremos, o que podemos, o que fazer", Jesulina de Castro Oliveira

"Eles vendem certezas e criam necessidades para ganhar trilhões de dólares. E o futuro da humanidade está envolvido nesse ciclo de criar dependência, vício. Temos uma geração Z de pessoas ansiosas, frágeis e deprimidas em um mundo em permanente conexão e, dentro dessa dinâmica, essas pessoas mais novas não sabem mais escolher nem discernir para saber pra onde que elas vão. O que a área pedagógica educacional está fazendo frente a isso?", Marta Held

"Sempre é muito bom participar desses grupos de debate do SINESP", Angela Figueiredo, "Só são chamados de usuários os que usam as redes e as drogas. Que ideia de capitalismo está produzindo isso?"

"Posso optar por não curtir, mas até quando a gente não curte está dando informação para eles. Não escapamos até quando estamos quietinhos. Precisamos sair para a rua e ver o mundo com nossos olhos", Iollanda Alves

"Eu tenho a impressão que os problemas que as redes sociais trazem não são tão novos, vigiados somos pelos vizinhos desde sempre, ainda mais na époda da ditadura... Eu não gosto de redes sociais mas vejo isso como um inhame, que a gente tem que comer para melhorar a imunidade", Mara Zago

"A lógica capitalista conseguiu essa proeza de nos transformar em produto e consumidor ao mesmo tempo. Onde cabe a ética? Tudo que é criado comporta em si o bem e o mal. Santos Dumont se suicidou quando viu que sua invenção foi usada para bombardeios em 1932", Maria Cinto do Prado

"A gente vai estar sempre sob vigilância, sendo induzido a consumir. Eu creio que não tem mais escapatória. Eu encontrei familiares nas redes que não via há muitos anos e hoje falamos quase todos os dias. Nesse momento de isolamento que estamos vivendo, as mídias nos deixam ver outras pessoas. Apesar dos radares que nos cercam, acho isso muito positivo. Tem que saber como usar", Rosangela Borges

"Eu sou viciada em redes sociais. Como moro sozinha, na pandemia acelerou mais. Sempre entrei em grupos de interesse desde o falecido Orkut, são amizades que a gente viaja, faz coisas junto", Maria Luiza Andres

"Tem que ver o que ajuda e deixar o resto de lado. As autoridades não têm o menor interesse em regulamentar coisas absurdas que vemos na internet. A gente, como sociedade, que tem que ir se organizando e fazendo frente a isso", Lurdes Rocha

"É a primeira vez que venho ao Cine Debate do SINESP. Gostei muito, achei maravilhoso, aprendi bastante!", Lidia Rostelli 

"Esse tipo de influência já existia nos 'velhos tempos'... A gente ia ao cinema e no cantinho direito inferior da tela ficava uma garrafinha de Coca-Cola, pequenininha, a gente nem percebia... Só que, ao sair do cinema, todo mundo saía com uma baita vontade de tomar Coca-Cola...  rs  rs    Talvez com essas discussões, debates, com o tempo, algo vai ser feito pra tentar uma postura mais ética dos que têm o controle disso (já começamos com as discussões sobre fake news... temos que aprofundar, e acho que vão aprofundar, sim...)", Marcia Olivan

"Adorei o encontro. Aprendi muito com os professores e com todos os participantes. Adorei o filme, muito atual! Até o próximo encontro", Neuza Maria de Carvalho

"Abraços para todos! Gratificante ouvir as reflexões", Raquel Acosta


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