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Três especialistas de diferentes áreas se reuniram em encontro especial no fim da tarde da sexta, dia 18 de junho de 2021, para mais uma sessão do Cine Debate do SINESP, desta vez com a análise do filme Radioactive, de 2019.

Com a presença do Doutor em Física das Radiações Almy Anacleto Rodrigues da Silva e a condução de Marcos Maurício Alves, professor de Espanhol do SINESP e mestre em Letras pela USP, e de Jean Rodrigues Siqueira, Professor Doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e também mestre em Filosofia, os filiados tiveram oportunidade de ver diversos aspectos do filme, dirigido pela franco-iraniana Marjane Satrapi, inclusive do ponto de vista da Ciência.

A atividade reuniu cerca de 30 filiados e o CFCL-SINESP foi muito feliz na escolha do convidado especial, que trouxe a visão da Física, presente na narrativa da história da cientista prêmio Nobel em Física e Química Marie Curie e seu companheiro, Pierre Curie. Até para desmistificar a demonização do tema, que geralmente é associado - e também assim foi no longa-metragem - às bombas atômicas e desastres nucleares, como o de Chernobyl em 1986 e o do Césio 137 em Goiânia, no ano seguinte.

Na verdade, esclareceu Almy, a descoberta do Rádio e do Polônio pelo casal Curie não tem relação direta com os fatos citados, já que os feitos fazem parte da evolução da Ciência e essa associação é falha. "Não é o Rádio que explode uma bomba", assinala. O doutor em Física apresentou uma explanação sobre as descobertas que levaram ao conhecimento que se tem hoje na Física das Radiações.

E tal como acontece com todas as descobertas, tudo pode ser usado para o bem ou para o mal, mas o uso da radiação na medicina já está consagrado e são inúmeras as aplicações que salvam diariamente milhares de vidas, como nos exames de Raio X, de mamografia, de tomografia, de densitometria óssea e até mesmo com o acelerador linear, equipamento mostrado no filme, usado para cura do câncer desde 1957. Almy trouxe algumas amostras de equipamentos e materiais para maior compreensão do tema.

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Narrativa com buracos

Também do ponto de vista da narrativa, o professor Marcos Maurício analisa que o filme deixa a desejar, já que tenta condensar a vida da cientista fazendo com que a história pareça estar sendo contada em toque de caixa. "Tem um ritmo bem acelerado de fatos, achei vários buracos. Os flashbacks deixam tudo ainda pior", lamenta. 

"O filme é muito ambíguo, no mínimo confuso pela homenagem que está prestando", acrescenta Jean Siqueira.

No debate, surgiram questões como a da presença e do lugar de fala das mulheres em ambientes em que há predomínio de homens, como na Ciência, coisa que não mudou muito desde os tempos de Curie. 

A participação das filiadas foi ativa durante o debate, seja fazendo perguntas ou trazendo impressões diversas no contato com a obra. A filiada Alcina Carvalho Hatzlhoffer trouxe até um texto da "Revista da Semana", publicação da época, que mostra como a Imprensa tratava Marie Curie com desdém, de forma extremamente machista, e fez contraposição com notícias atuais, que revelam a dificuldade das mulheres cientistas ainda hoje.

"Todo mundo agora vai ver esse filme com outros olhos e pensar em questões que não tinha percebido antes"

Maria Villany

 

O conceito de gênio está muito presente no filme inteiro. Um ponto para reflexão é como se dá o uso econômico do que é produzido pelos gênios"

Beth Castellão

 

"Que mundos não seriam desvendados pela curiosidade feminina?"

Alcina Carvalho Hatzlhoffer

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