CFCL-SINESP CONVIDA recebe Wilson Alves-Bezerra

Em sua primeira edição, o CFCL-SINESP CONVIDA tem a honra de contar com a participação do poeta, escritor, tradutor, crítico literário e professor Wilson Alves-Bezerra, que dividirá com os filiados a análise de sua obra Vapor Barato.

Clube de Leitura Especial CFCL-SINESP CONVIDA

Data: 26 de agosto, às 15h

Inscrições: 23 e 24 de agosto

As inscrições podem ser feitas das 9h às 17h pelos telefones do SINESP 3255-9794 e 3116-8400 e pelo WhatsApp 3116-8400.

Ficção ou realidade?

O livro ficcional de Wilson Alves-Bezerra é intrigante, porque retrata angústias e inquietações atuais de um número expressivo de brasileiros. A desilusão com o momento político do país é o fio condutor de uma narrativa amarga, mas rica e muito necessária nos tempos sombrios que se abateram sobre o país.

É possível ter alguma esperança no amanhã? Somente a leitura de Vapor Barato e a conversa com Alves-Bezerra poderão dar pistas sobre o futuro.

Antes, entretanto, vale a pena saber o que espera o leitor com a sinopse precisa do jornalista, crítico literário e doutor em Letras Miguel Conde.

É possível adoecer de um país? Durante as sessões de psicanálise que formam os capítulos deste livro incisivo, os dramas íntimos cedem lugar no divã a desilusões políticas dolorosas. As disfunções da vida pública viram aqui um problema pessoal dos mais agudos, a ponto de ameaçarem a saúde mental do angustiado e queixoso analisando criado por Wilson Alves-Bezerra. Motivos de reclamação não faltam, e é possível que muitos sejam compartilhados pelos leitores deste livro. Ficção à maneira de um desabafo, flertando às vezes com a imprecação, Vapor barato remói com amargor assumido os acontecimentos da história recente do Brasil. Em sua prosa encrespada, transtornada com o país que chama ironicamente de “Esmerilhândia”, o protagonista do livro oscila entre abatimento e fúria, melancolia e surto. Mesmo naqueles momentos em que seu personagem extravasa sua raiva de modo mais direto, porém, Alves-Bezerra não oferece ao leitor qualquer tipo de catarse. Quanto mais desfia sua contrariedade, mais a fala ácida que se desdobra aqui parece girar em falso.    O leitor vira as páginas, mas tem a sensação de ser lançado a cada vez de volta ao mesmo lugar. Nessa prosa que se volta de modo insistente e aflitivo sobre si mesma, o autor sugere uma figuração possível para um país condenado à repetição sintomática. É sobretudo esse sintoma de dimensões continentais que não para de se repetir aqui, produzindo a certa altura um efeito insólito de desorientação temporal. Nem sempre é fácil dizer se aquilo que se lê diz respeito ao passado recente, àquilo que vai acontecendo naquele mesmo instante ou à imaginação de um futuro distópico. A indistinção entre fantasia e realidade deixa então de ser um problema interno à história que acompanhamos para tocar de modo perturbador nossa própria leitura.

Wilson Alves-Bezerra

Nascido em São Paulo no ano de 1977, Wilson Alves-Bezerra é poeta, escritor, tradutor, crítico literário e professor de literatura. É graduado e mestrado em letras pela Universidade de São Paulo (USP), doutorado em Literatura Comparada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e pós-doutorado em Literatura Hispano Americana pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

Autor de inúmeros ensaios e obras poéticas, Alves-Bezerra tem livros publicados no Brasil, no Chile, na Colômbia e em Portugal. O livro de poemas em prosa Vertigens venceu a Escolha do Leitor na categoria poesia do 58º Prêmio Jabuti, no ano de 2016. Ele já havia sido indicado ao Jabuti em 2011, na categoria melhor tradução espanhol-português, por sua versão de Pele e Osso, do escritor argentino Luis Gusmán.

Entre os feitos de Alves-Bezerra destacam-se, também, as obras ficcionais Histórias zoófilas e outras atrocidades e o livro que será debatido no Clube de Leitura, Vapor Barato.

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