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É certo que, com vários laboratórios no mundo trabalhando no desenvolvimento de vacinas para a Covid-19, em breve, haverá uma grande campanha de vacinação contra o novo coronavírus. Mas não é tão simples assim fazer imunização em massa. Exemplos recentes no combate à varíola e à pólio mostram que há alta complexidade na logística de distribuição, que muitas vezes conta também com barreiras culturais.

Nesta terça, dia 25 de agosto, a Organização Mundial da Saúde anunciou oficialmente a erradicação da Poliomielite no continente africano. Isso mais de sessenta anos depois de a vacina ter sido desenvolvida pelo pesquisador Albert Sabin. Provocada pelo "poliovírus selvagem" (PVS), a poliomielite é uma doença infecciosa aguda e contagiosa que ataca principalmente as crianças, por isso é também conhecida como paralisia infantil. A doença era endêmica no mundo todo.

Sabin de imediato abriu mão dos direitos de patente da vacina, o que facilitou a difusão do medicamento. Os países mais ricos tiveram acesso à “gotinha” rapidamente, mas em 1988 ainda foram registrados mais de 350 mil casos no mundo. Em 1996, mais de 70 mil pessoas tiveram a doença no continente africano.

Apenas com aportes financeiros de US$ 19 bilhões em 30 anos, e um esforço coletivo surpreendente, essa situação mudou. Foi preciso convencer líderes tradicionais e religiosos e romper barreiras de distância e culturais para levar a prevenção aos focos remanescentes. Conflitos locais só pioraram a eficácia da distribuição. Em 2020, somente dois países ainda registram incidência de pólio: Afeganistão (29 casos) e Paquistão (58 casos).

Já em 8 de maio de 1980, a OMS declarou oficialmente a erradicação da varíola, o que pôs fim a uma doença que matou mais de 300 milhões de pessoas somente no século 20 e afligiu a humanidade por pelo menos três milênios. Mas a erradicação só foi possível graças a um esforço global de mais de dez anos, liderado pela OMS, que envolveu US$ 300 milhões e milhares de profissionais de saúde em todo o mundo para administrar meio bilhão de vacinas.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse recentemente, que, “enquanto o mundo confronta a pandemia de Covid-19, a vitória da humanidade sobre a varíola é um lembrete do que é possível quando as nações se reúnem para combater uma ameaça comum à saúde".

Lidar com a hesitação da vacina também pode representar um desafio significativo para conter o novo coronavírus. Além do comprometimento dos profissionais da saúde e da sociedade, é fundamental prover o acesso a informações claras e precisas para garantir a adesão da população às campanhas de imunização.

Juntas, Solidariedade e Ciência trazem a solução!

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