Aconteceu no SINESP
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A live de 18 de novembro teve formação alusiva ao mês da Consciência Negra, focada na questão racial e conectada à realidade mundial, com o tema “A LUTA ANTIRRACISTA E A EDUCAÇÃO COMO CAMINHO”.

A Drª em História pela USP e Profª da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Luciana Britto, palestrou e respondeu perguntas sobre a cultura que sustenta o racismo estrutural no país, suas bases, a revisão historiográfica e o trabalho educativo necessários para trazer o problema à tona, combatê-lo e formar gerações antirracistas.

A dirigente do SINESP, Diretora de Escola, psicóloga, membro do CRECE Central e do CACS FUNDEB Flordelice Magna Ferreira mediou a live e destacou a importância de abordar esse tema tão necessário e atual e que a luta antirracista também tem a ver com qualidade de vida e saúde mental.

Luciana Britto também é pós-doutora em estudos da diáspora negra nas Américas pela Universidade da Cidade de Nova York e especialista em estudos da escravidão e abolição no Brasil e nos Estados Unidos e autora do livro Temores da África: segurança, legislação e população africana na Bahia oitocentista, ganhador do prêmio Thomas Skidmore de 2019.

CONFIRA O SINESP FORMAÇÕES “A LUTA ANTIRRACISTA E A EDUCAÇÃO COMO CAMINHO”

Questão atual e debate necessário

Para a palestrante, imprensa, sociedade civil, movimentos sociais e o Estado têm papel crucial no caminho de uma sociedade antirracista, mas a realidade mostra que a educação deve nortear todos esses caminhos. A professora doutora fez uma revisão historiográfica a partir dos pressupostos ditados pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHCB), que formou, no início do século XX, toda uma estrutura curricular para o ensino de História do Brasil que se manteve por décadas.

Para ela, essa narrativa acabou distanciando a sociedade de uma discussão de realidades e especificidades, abrandando temas como a escravidão ou mesmo a participação negra na sociedade brasileira, com a colaboração de intelectuais como Afonso Celso, Gilberto Freyre, entre outros.

Preceitos esses que foram resgatados com força na época da ditadura e que nortearam o ensino de Organização Social e Política do Brasil (OSPB) nas escolas durante esse período, perdurando até meados dos anos 70, quando uma mudança de mentalidade trouxe uma pesquisa histórica nas universidades e professores começaram a questionar, fazendo uma releitura.

Lei 10.639/2003 e Lei 11.645/2008

Depois da promulgação da Lei 10.639/2003, que instituiu o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira nas escolas de ensino fundamental e médio, públicas e particulares, essa perspectiva mudou. A lei também incluiu o dia 20 de novembro como Dia da Consciência Negra nos calendários escolares.

Tendo os movimentos sociais como protagonistas nessa mudança, também chegou-se em 2008 à Lei 11.645, que detalha aspectos a serem incluídos no conteúdo programático das escolas e ainda estende os conteúdos no âmbito de todo o currículo escolar, especialmente nas áreas de Literatura, Educação Artística e História. Também houve a incorporação de conteúdos para os povos indígenas.

>>> Conheça a Lei 10.639/2003 na íntegra

>>> Conheça a Lei 11.645/2008 na íntegra

NEPEN da USP e Luta no SINESP

O debate foi conduzido com abordagem ampla sobre as questões envolvidas e direcionado para o papel da educação na formação de gerações antirracistas.

Nesse contexto, Flordelice relatou o trabalho realizado na escola onde é diretora, a EMEF Coronel  Luiz Tenório de Brito, estruturado a partir de uma formação sobre a questão racial para professores, gestores  e funcionários pelo Núcleo de Estudantes e Pesquisadoras Negras do Departamento de Geografia da USP (NEPEN GEO USP).

A abordagem, o conteúdo e resultados dessa formação serão objeto de artigo a ser publicado nesse site na próxima semana.

Flordelice afirmou ainda a importância do SINESP em sua trajetória enquanto gestora e ativista negra: "quando cheguei a esse Sindicato, a presidente era negra e me disse 'vem pra cá e vem pra luta', e lembrou que ficou muito tempo sendo a única diretora negra do sindicato e que as pessoas têm de entender o porquê. Fui acolhida e me fortaleci em meu trabalho e em minha luta".

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