Aconteceu no SINESP
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Margareth Dalcolmo, pneumologista e pesquisadora da Fiocruz, afirmou no programa Roda Viva de 14 de dezembro, em debate sobre a situação do Brasil no cenário da vacinação contra a Covid-19, que os Profissionais de Educação deveriam estar integrados!

Em resposta a muitas perguntas do público sobre educadores e demais funcionários das escolas, a Drª Margareth lembrou suas manifestações anteriores no sentido de não ter dúvida que quem trabalha em escolas deveria ser reconhecida como uma necessidade de preservar vidas dos profissionais, familiares e da comunidade escolar por estar em um dos grupos em que o risco e a morbidade são muito altos.

Ainda mais, lembrou ela, com a necessidade, depois de um ano praticamente perdido na educação das crianças, sobretudo das classes menos favorecidas que frequentam o ensino público, de preparar o ambiente escolar da maneira mais segura possível, inclusive para a possibilidade de um retorno das aulas presenciais.

Segundo a pesquisadora, a ordem de priorização estabelecida para a vacinação deve ser parcialmente revista a partir de uma consciência cívica da sociedade para modificar os grupos de prioridade, com a inclusão de grupos de alto risco, aos quais ela insere os educadores.

Para ela, não é justo que as pessoas às quais o trabalho impõe o trânsito diário e a convivência em ambientes coletivos, que por isso têm maior facilidade se tornarem portadoras e transmissoras do vírus, sejam excluídas das prioridades.

O Dr. Gonzalo Vecina dissera algo semelhante, em resposta a questionamento do presidente do SINESP, Luiz Carlos Ghilardi, em reunião do Comitê de Crise da Câmara Municipal no dia 08 de dezembro. Para Vecina, o cronograma de vacinação com prioridade para profissionais da saúde e idosos é mundial, mas poderia incluir a educação – Veja AQUI.

Veja o Roda Viva de 14 de dezembro, com especialistas esclarecendo questões sobre as vacinas – Com Margareth Dalcolmo, Denise Garret e Dimas Covas.

Posição é ponderada e justificável

Há vários motivos que reforçam e justificam essa defesa para os Gestores Educacionais, todos ligados ao fato da categoria não ter tido direito a isolamento e quarentena, ter atuado nas escolas sem a proteção necessária.

Os Gestores continuaram trabalhando nas escolas na pandemia, em muitos casos sem os equipamentos e a atenção necessária, enfrentando condições inadequadas, os desmandos e a desorganização promovida pela SME e pelas DREs e tendo que ter contato direto com a população para serviços como entrega de cartões e cestas básicas.

Reconhecimento, valorização e responsabilidade

Imunizar prioritariamente os Gestores é reconhecer a importância a eles atribuída e valorizar o trabalho dedicado que realizam em meio ao perigo da contaminação, à incerteza com a saúde e a vida, ao estresse físico e mental a que foram e continuam sendo submetidos.

É também ser responsável com a Educação, uma vez que o governo divulgou a intensão de retomar as aulas presenciais no início de fevereiro, através de uma minuta, e ainda não recebeu os Sindicatos para negociar. Pode ser, portanto, que seja imposta pela SME aos Gestores a coordenação do retorno das aulas, fator potencial e explosivo de contaminação.

Ainda sem condições para um retorno

A situação pode ser explosiva porque a maioria das escolas não tem condições estruturais para receber os alunos com a pandemia ativa, sem a garantia de vacinação de todo o público escolar, alunos e profissionais.

Há escolas em que várias situações impõem péssimas condições de trabalho. Muitas estão em prédios antigos e precários, sem conforto e segurança, com áreas exíguas para entrada, saída e convivência que tornam as aglomerações inevitáveis. A falta de ventilação adequada também é um problema recorrente, assim como a falta de profissionais que é crônica em toda a RME.

São inadequações mesmo em condições normais. Ainda mais durante uma pandemia, em que o distanciamento é uma necessidade que será negligenciada como a imposição de contato diário com dezenas ou centenas de pessoas nas UEs.

As escolas são vetores potenciais de recepção e transmissão do vírus, devido a essas condições de trabalho e estruturais. Por si só, isso já deveria justificar a prioridade de vacinação para os Gestores e toda a categoria.

Mas a questão vai muito além da proteção à vida dos Educadores. Envolve suas famílias, as comunidades em que vivem e toda a comunidade escolar.

Logística própria

Reivindicar que a categoria seja incluída como grupo prioritário na futura campanha de vacinação contra o coronavírus não implica em querer furar a fila.

Muito pelo contrário. O Sindicato entende que prioridade para a vacinação deve conter os trabalhadores da saúde e a população idosa e portadora de comorbidades, a mais vulnerável às complicações da doença.

Mas acredita que, pelas condições impostas no caso do retorno das aulas presenciais, os educadores devam estar também entre os prioritários, inclusive com a criação de uma logística própria, facilitada pelo fato de que as escolas serão usadas como pontos de vacinação.

Isso permite que a vacinação seja feita rapidamente na categoria e nos alunos, possibilitando a convivência sem a preocupação de se contaminar e reproduzir a doença internamente, nas comunidades e na população.

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