Aconteceu no SINESP

O processo inflacionário que aflige o país é perverso por atingir fortemente os mais pobres, que já perderam muita renda no último período, e por não haver perspectiva de que o governo fará algo para atenuar a situação.

Um protesto diferente chamou a atenção no dia 16 de dezembro. Famílias ocuparam hipermercados em nove capitais em busca de alimentos.
Não houve saque. A ação foi tanto um protesto pela alta nos preços dos alimentos, quanto para reivindicar comida na mesa das famílias através do fornecimento de cestas básicas. Querem apenas um “Natal sem fome”.

Inflação perversa com os mais pobres

No momento, não apenas a inflação media está alta. A onda de encarecimento da comida é a pior desde 2003. Leite e gás de cozinha dobraram de preço e o aumento da eletricidade é o segundo maior do século, assim com a alta dos combustíveis para veículos. Esse último afeta todos que têm carros e também os preços dos alimentos num país que consolidou as rodovias como via principal de escoamento.

A pobreza atinge 16% da população desde o início de 2021. A renda do trabalho da metade mais pobre do país está um terço menor que no fim de 2014. O número de pessoas com algum trabalho é menor que em 2021 e o desalento é de longe o maior desde então. Dai vem a fila do osso que choca os que tem compaixão.

Sem política

Preso ao tripé macroeconômico neoliberal, o governo trata a inflação como de demanda e aumenta juros para tirar dinheiro de circulação. Mas é evidente que a atual inflação não é de demanda.

O povo está comprando menos, e não mais. O problema dos preços está no dólar alto, que o governo não tem política para baixar. Isso aumenta o preço dos insumos industriais, já escassos.

Está também na falta de estrutura do país para produzir e escoar alimentos. Na crise de energia e nos preços dos produtos primários em geral. E na ausência de uma política industrial geradora de empregos. Não há plano para lidar com nada disso, nem com a saúde e a pobreza ou para estabilizar a economia.

O exemplo vem de cima

Frente à deterioração econômica e à crise, o atual governo dos Estados Unidos não titubeou. O presidente Biden mudou o eixo da discussão econômica ocidental propondo papel mais ativo do estado na redução de desigualdades, promoção de investimentos, incentivo à inovação e geração de empregos.

Seu pleno já foi aprovado no Congresso e tem itens que se encaixam à perfeição no Brasil. Um deles é o governo aumentar seus gastos com a economia, a infraestrutura e a população. Crescer agora para tributar depois, essa é a ideia.

Essa é a discussão que circula no mundo. Mas o Brasil continua no caminho contrário já abandonado pelos demais. Para entrar no circuito, o Brasil precisaria escapar da exigência de superávit primário e do teto de gastos. Esses mecanismos reservam metade da arrecadação aos bancos, como explica a Auditoria Cidadã da Dívida (veja AQUI) e engessa investimentos.

Tanto que para pagar o Auxílio Brasil o governo foi tirar recursos dos precatórios. Ou seja, da população. Governantes e políticos são incapazes de pensar diferente.

O retorno de uma política industrial é outra ponta do plano Biden, que faz todo sentido aqui. Assim como apoio a público à pesquisa nas universidades e polos de inteligência. E o combate à desigualdade com políticas que inibam a concentração de renda e riqueza.

A crise de perspectiva é total

Nada deve melhorar no Brasil em 2022, infelizmente. O atual governo continuará inoperante, preso a princípios neoliberais, tentando privatizar tudo e piorar ainda mais a situação para os trabalhadores, em benefício das empresas.

Como mostra o estudo recém-lançado para uma nova reforma trabalhista, encomendado pelo governo, que propõe uma série de mudanças nas regras de pagamento de verbas ao trabalhador demitido sem justa causa, entre elas o fim do pagamento da multa de 40% do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) – veja mais AQUI

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